Às vezes, a janela está impecavelmente limpa, aí então, vejo o mundo em toda a sua beleza e clareza. Vejo crianças brincando no parque, casais caminhando de mãos dadas, pássaros voando livremente pelo céu azul. É como se cada detalhe estivesse em perfeita harmonia e o meu coração se enche de gratidão por fazer parte desse cenário.
Há dias em que a janela está embaçada, manchada pelas gotas de chuva da minha própria melancolia. Nessas ocasiões, o mundo lá fora parece distorcido, desfocado. As cores perdem seu brilho, os sons se tornam abafados e até mesmo as pessoas parecem mais distantes, como se estivessem do outro lado de um abismo intransponível.
O que tenho olhado pela janela? Às vezes, vejo reflexos do meu próprio eu interior, projetados nas paisagens do lado de fora. Vejo minhas esperanças, meus medos, meus sonhos refletidos nas nuances da vida cotidiana. E mesmo quando a visão está obscurecida pelas sombras da dúvida e da incerteza, continuo a olhar, sabendo que em algum lugar, além da névoa, a luz ainda brilha.
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